O QUE É
A ABA?

A Análise do Comportamento Aplicada (ABA) ocupa um lugar importante na história das intervenções destinadas às pessoas autistas. A revisão sistemática conduzida pelo National Clearinghouse on Autism Evidence and Practice identificou 28 práticas de intervenção baseadas em evidências para crianças, adolescentes e jovens adultos autistas, considerando estudos publicados entre 1990 e 2017 (Steinbrenner et al., 2020). Entre essas práticas, a maioria dos procedimentos são fundamentados em princípios analítico-comportamentais, como reforçamento diferencial, ensino por tentativas discretas, avaliação funcional do comportamento, Treino de Comunicação Funcional, Análise de Tarefas e tipos de dicas (ex. atraso de tempo), evidenciando a predominância de intervenções comportamentais entre as práticas com suporte empírico.
Na década de 1960, Lovaas e colaboradores realizaram alguns dos primeiros estudos experimentais sobre a aplicação de princípios comportamentais à intervenção com crianças autistas. Em 1987, Lovaas publicou um dos estudos mais conhecidos da área. O grupo experimental era composto por 19 crianças, das quais 17 apresentavam, antes da intervenção, escores intelectuais compatíveis com deficiência intelectual moderada ou grave. Após receberem o tratamento comportamental individualizado por 40 horas ou mais por semana, durante pelo menos dois anos, nove crianças alcançaram escores de funcionamento intelectual de acordo com o esperado para a idade e passaram a frequentar classes de ensino regulares. Em contrapartida, entre os 40 participantes dos dois grupos de comparação, apenas uma criança apresentou resultado parecido (Lovaas, 1987).
É importante destacar que a ABA não deve ser considerada um método ou protocolo único e vai muito além de tratar características do autismo. Quando não há clareza sobre isso por parte da família e dos profissionais que prestam serviços analítico-comportamentais, a intervenção aplicada ao tratamento do autismo é drasticamente comprometida. A ABA, diferente dessas definições simplistas, é um campo de estudo baseado na aplicação dos princípios, métodos e procedimentos da ciência do comportamento. Seus princípios e métodos são utilizados na educação, na saúde, na psicologia clínica, na medicina, no esporte, nas organizações, na segurança, no direito e na proteção ambiental. O aprimoramento do desempenho profissional, a prevenção de acidentes de trânsito, a intervenção para redução de fobias e abuso de substâncias e o manejo de problemas relacionados à anorexia, à obesidade e à hipertensão são alguns dos exemplos de áreas de atuação da Análise do Comportamento Aplicada (Pierce & Cheney, 2008).
Em resumo, a ampla aplicabilidade à compreensão e à modificação de comportamentos socialmente relevantes em diferentes populações e contextos sociais é o principal objetivo da Análise Aplicada do Comportamento.
REFERÊNCIAS
Lovaas, O. I. (1987). Behavioral treatment and normal educational and intellectual functioning in young autistic children. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 55(1), 3–9. https://doi.org/10.1037/0022-006X.55.1.3
Pierce, W. D., & Cheney, C. D. (2008). Behavior analysis and learning (4th ed.). Psychology Press.
Steinbrenner, J. R., Hume, K., Odom, S. L., Morin, K. L., Nowell, S. W., Tomaszewski, B., Szendrey, S., McIntyre, N. S., Yücesoy-Özkan, Ş., & Savage, M. N. (2020). Evidence-based practices for children, youth, and young adults with autism. The University of North Carolina at Chapel Hill, Frank Porter Graham Child Development Institute, National Clearinghouse on Autism Evidence and Practice Review Team. https://ncaep.fpg.unc.edu/wp-content/uploads/Pratica-Baseada-em-Evidencias-para-Criancas-Adolescentes-e-Jovens-Adultos-com-Autismo.pdf
AVALIAÇÃO COMPORTAMENTAL
A avaliação é uma etapa fundamental para garantir um tratamento personalizado e eficaz, independente da área de atuação. Um Analista de Comportamento qualificado deve conduzir uma avaliação baseada nos protocolos cientificamente consolidados da área, a fim de identificar as principais habilidades, preferências e necessidades do cliente.
Na MAIS UMA ABA, a Avaliação Comportamental envolve diversas etapas, como: entrevista familiar, observação em diferentes ambientes (casa, escola, área externa), aplicação de testes, devolutiva e elaboração do Relatório Comportamental.
O Relatório Comportamental, descreve e analisa os principais dados coletados, incluindo dados quantitativos apresentados em tabelas e/ou gráficos.
PLANO DE ENSINO INDIVIDUALIZADO
Os programas analítico-comportamentais implementados com pessoas autistas devem ser cuidadosamente elaborados, de modo a atender às necessidades individuais de cada cliente e de sua família, assim como o contexto no qual eles estão inseridos.
Na MAIS UMA ABA, os programas de ensino são compartilhados por escrito com a família, para que eles possam acompanhar de forma contínua os objetivos de ensino. A cada semestre, também são enviados vídeos das avaliações inicial e final de alguns procedimentos implementados no período, para que parte dos progressos alcançados possa ser acompanhada através de recursos audiovisuais.
Além disso, são realizadas orientações parentais mensais para acompanhamento contínuo dos objetivos de ensino planejados especificamente para o contexto familiar.
Cada etapa do nosso processo reafirma o compromisso com a elaboração de um plano de intervenção eficaz, acolhedor e significativo para cada família.





